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	<title>Arquivo de Opinião - My Oncologia</title>
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	<description>Plataforma multimédia dirigida à comunidade médica e outros profissionais de saúde envolvidos no tratamento das doenças oncológicas.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 28 Jul 2026 14:06:40 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Opinião - My Oncologia</title>
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		<title>Entre o alerta global e o compromisso nacional, construir o futuro da Oncologia em Portugal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 14:06:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Perante o novo relatório da Organização Mundial da Saúde &#8220;Global Status Report on Cancer 2026&#8221;, que projeta que os novos casos de cancro possam quase duplicar até 2050, o presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), Nuno Bonito, assina um artigo de opinião sobre a urgência de uma resposta estrutural em Portugal. O especialista defende [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Perante o novo relatório da Organização Mundial da Saúde &#8220;Global Status Report on Cancer 2026&#8221;, que projeta que os novos casos de cancro possam quase duplicar até 2050, o presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), <strong>Nuno Bonito</strong>, assina um artigo de opinião sobre a urgência de uma resposta estrutural em Portugal. O especialista defende o reforço da prevenção e da equidade no acesso aos cuidados, alertando ainda para os atrasos na inovação terapêutica no país — onde o tempo médio de espera pelos novos fármacos atinge os 846 dias. Conheça a perspetiva do especialista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O recente relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) constitui um importante sinal de alerta que não podemos ignorar. A projeção de que os novos casos de cancro possam quase duplicar até 2050, atingindo os 35 milhões, coloca-nos perante um desafio geracional que exige uma resposta estrutural, sustentada e ambiciosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escala deste fardo é crítica na Europa: embora representemos apenas 9% da população mundial, suportamos 20,9% dos novos diagnósticos e 20% das mortes globais. O contraste entre o progresso da Europa Ocidental e os desafios da Europa de Leste confirma que a equidade no acesso aos cuidados continua a ser uma falha estrutural.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Portugal, a nossa realidade exige uma otimização profunda. Embora nos situemos num nível intermédio de despesa em saúde — comparável a países como a Grécia e a Finlândia — o investimento não garante resultados por si só. Os dados sobre o padrão de cuidados cirúrgicos no cancro da mama na região Sul do país, onde a taxa de cumprimento da cirurgia conservadora combinada com radioterapia se situa apenas entre os 40% e 50%, demonstram que temos uma margem crítica para uniformizar a qualidade clínica em todo o território nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é possível falar de uma estratégia eficaz para o controlo do cancro sem colocar a prevenção no centro da agenda política. O relatório da OMS é claro: quase quatros em cada dez casos de cancro estão associados a fatores de risco evitáveis, como o consumo de tabaco e álcool, a inatividade física, a obesidade, a exposição a infeções, nomeadamente HPV e hepatites, e a poluição ambiental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os progressos alcançados demonstram que as políticas de saúde pública produzem resultados. A redução de 27% no consumo de tabaco desde 2010 e o impacto dos programas de vacinação são exemplos concretos desse sucesso.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, a dimensão do desafio exige um investimento robusto e estratégico em prevenção, devidamente estruturado em seis níveis de intervenção: em seis níveis de prevenção integrados: primordial (políticas públicas promotoras de saúde), primária (controlo de fatores de risco), secundária (rastreio e diagnóstico precoce), terciária (tratamento eficaz e reabilitação), quaternária (prevenção do sobretratamento) e quinquenária (valorização e bem-estar dos profissionais de saúde). Esta abordagem transversal é essencial para reduzir a incidência da doença, otimizar resultados clínicos e assegurar a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde a longo prazo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A nossa visão converge com a defesa de uma abordagem verdadeiramente centrada nas pessoas. O sucesso da resposta oncológica não pode ser avaliado apenas pelo volume de atividade. É essencial incorporar indicadores que reflitam aquilo que realmente importa para os doentes: qualidade de vida (PROM), experiência dos cuidados (PREM) e sobrevivência ajustada ao risco. Quando a OMS defende a integração do controlo do cancro na Cobertura Universal de Saúde, Portugal deve aproveitar essa oportunidade para reforçar a coordenação dos percursos assistenciais, nomeadamente através de uma Via Verde do Doente Oncológico. O doente deve beneficiar de circuitos ágeis, diferenciados e articulados ao longo de todo o percurso de cuidados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Persistem, contudo, desafios importantes no acesso à inovação. Apesar de Portugal apresentar uma disponibilidade de medicamentos oncológicos superior à média europeia, o tempo médio até ao acesso pelos doentes — 846 dias — continua significativamente acima da média europeia de 586 dias, de acordo com o EFPIA Patients W.A.I.T. Indicator 2024. A sustentabilidade do SNS deve ser construída através da maximização dos ganhos em saúde, assegurando um acesso atempado, equitativo e sustentável à inovação. Neste contexto, modelos de pagamento baseados em resultados (<em>payment by results</em>) constituem uma oportunidade para alinhar investimento e valor gerado para os doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Oncologia portuguesa deve ter condições para liderar. A obrigatoriedade da multidisciplinaridade — com&nbsp;<em>molecular tumor boards</em>&nbsp;e a coordenação central do oncologista médico — e a integração dos cuidados paliativos não são luxos, são necessidades clínicas para melhorar prognósticos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como presidente da SPO, reitero o nosso compromisso: não nos limitaremos a observar estatísticas. Trabalharemos ativamente, em co-criação com os decisores políticos, para que Portugal não apenas responda ao aumento dos casos, mas lidere com competência técnica, equidade e uma profunda humanização. O futuro da Oncologia escreve-se na qualidade das nossas escolhas políticas e na nossa capacidade de colocar o doente no centro.</p>
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		<title>Process mining: tecnologia de vanguarda estuda o percurso do doente no rastreio do cancro colorretal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 11:17:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Avaliar a eficácia de um programa de rastreio oncológico de base populacional exige olhar para lá das habituais estatísticas de participação e analisar o percurso completo do doente, desde o primeiro convite até ao diagnóstico final. Esta é a premissa de um estudo desenvolvido primeira vez no país, recorrendo à técnica avançada de process mining [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph" id="p-rc_033971281104d536-82">Avaliar a eficácia de um programa de rastreio oncológico de base populacional exige olhar para lá das habituais estatísticas de participação e analisar o percurso completo do doente, desde o primeiro convite até ao diagnóstico final. Esta é a premissa de um estudo desenvolvido primeira vez no país, recorrendo à técnica avançada de <em>process mining</em> para mapear e otimizar as etapas do rastreio do cancro colorretal. O trabalho de investigação, intitulado &#8220;Population-Based Cancer Screening Analysis in Northern Portugal Using Process Mining&#8221;, tem como primeiro autor <strong>Hugo Monteiro</strong>, que desenvolveu esta componente científica no âmbito do seu doutoramento na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP), em articulação com a equipa de coordenação nacional dos rastreios oncológicos constituída por <strong>Fernando Tavares</strong> e <strong>João Reis</strong>.</p>



<p class="has-medium-font-size wp-block-paragraph"><strong>Melhorar o rastreio, do princípio ao fim&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Todos os anos, milhares de portugueses recebem em casa uma carta que lhes pode salvar a vida.&nbsp;Por detrás deste gesto simples, um convite para participar no rastreio do cancro colorretal, existe&nbsp;um percurso complexo, feito de testes, resultados, consultas e colonoscopias. O programa só&nbsp;cumpre plenamente a sua função quando todas estas etapas decorrem e são concluídas&nbsp; atempadamente. Foi esse percurso, e não apenas os resultados finais, que decidimos estudar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um programa de rastreio não termina quando o convite é enviado, nem quando o teste é&nbsp;devolvido. Só se completa quando uma pessoa com resultado positivo recebe a avaliação&nbsp;clínica e o exame de diagnóstico de que necessita, num prazo adequado. Esta distinção é&nbsp;essencial. Na Região Norte, o programa organizado começa com um teste imunoquímico fecal&nbsp;realizado em casa. Perante um resultado positivo, segue-se uma consulta nos Cuidados de&nbsp;Saúde Primários e, quando clinicamente indicado, uma colonoscopia. Atualmente, existe&nbsp; também a possibilidade de encaminhamento direto para colonoscopia, que dispensa a&nbsp;consulta intermédia e pode encurtar o percurso. Os primeiros resultados mostraram que o&nbsp;modelo era viável e cumpria os critérios de qualidade, mas também que havia margem para&nbsp;melhorar a participação e, sobretudo, a conclusão do percurso após um resultado positivo [1].&nbsp;</p>



<p class="has-medium-font-size wp-block-paragraph"><strong>Ver o percurso para o melhorar&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A mineração de processos, ou <em>process mining</em>, permite reconstruir o que acontece na prática&nbsp;a partir dos registos administrativos dos sistemas de informação. Em vez de se limitar a totais&nbsp;anuais, mostra a sequência das etapas, os percursos mais frequentes, os desvios e os pontos&nbsp; onde se acumulam atrasos. É, em termos simples, uma radiografia operacional do percurso do&nbsp;utente. A técnica já foi aplicada em diferentes contextos clínicos, incluindo a vigilância de&nbsp;pessoas com melanoma, e é hoje reconhecida como uma abordagem útil para compreender&nbsp;processos de saúde complexos [5,6]. Tanto quanto sabemos, este foi o primeiro trabalho a&nbsp;aplicar esta metodologia a um programa de rastreio oncológico em Portugal. O elemento&nbsp;distintivo foi também a escala: não analisámos apenas um serviço ou um hospital, mas um&nbsp;programa de base populacional, abrangendo diversos locais como os Cuidados de Saúde&nbsp;Primários, o laboratório e os hospitais.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para o conseguir, foi necessário harmonizar grandes volumes de dados de diferentes sistemas&nbsp;e transformar cada registo, desde o convite à colonoscopia, numa representação coerente do&nbsp;percurso. O trabalho foi desenvolvido em várias fases, desde a exploração inicial dos percursos&nbsp;e dos atrasos até à criação de métodos para monitorizar o programa e verificar o cumprimento&nbsp;do percurso previsto [2-4]. No estudo &#8220;Population-Based Cancer Screening Analysis in&nbsp; Northern Portugal Using Process Mining&#8221;, analisámos os episódios de rastreio registados&nbsp;entre 2020 e 2022. Os eventos administrativos foram reunidos num registo de eventos, ou <em>event log</em>, e comparados ao longo do tempo e entre os então Agrupamentos de Centros de&nbsp;Saúde. Esta abordagem permitiu perceber o impacto da pandemia no programa e comparar&nbsp;a capacidade de recuperação das diferentes unidades [7].</p>



<p class="has-medium-font-size wp-block-paragraph"><strong>Dos indicadores à melhoria do processo&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados mostraram uma perturbação importante, seguida de uma recuperação desigual.&nbsp;O intervalo entre a consulta e a colonoscopia aumentou durante a pandemia e, apesar da&nbsp;melhoria posterior, manteve-se acima do prazo de referência de 45 dias. Em contrapartida, o&nbsp;intervalo entre a referenciação e a consulta diminuiu de forma acentuada, refletindo um&nbsp;esforço efetivo para resolver situações pendentes. A atividade do programa também&nbsp;recuperou, mas essa evolução não eliminou os atrasos numa das etapas mais críticas do&nbsp;percurso. É aqui que os indicadores agregados podem esconder parte do problema: um&nbsp;programa pode recuperar atividade e manter demoras relevantes para as pessoas que&nbsp; necessitam de completar o diagnóstico [7].&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esta é, para nós, a principal mensagem do estudo. A contabilização de convites, testes&nbsp;realizados e taxas de participação continua a ser indispensável, mas não é suficiente para&nbsp;avaliar a qualidade do programa numa lógica de percurso completo. Duas unidades podem&nbsp;apresentar resultados globais semelhantes e proporcionar percursos muito diferentes a quem&nbsp;teve um teste positivo. Algumas unidades revelaram maior capacidade de recuperação e&nbsp;intervalos mais curtos entre etapas. A adoção mais precoce da referenciação eletrónica e de&nbsp;modelos de agendamento mais flexíveis poderá ter contribuído para esse desempenho. O valor prático do <em>process mining </em>está em transformar estas diferenças em decisões concretas&nbsp;de melhoria: assinalar percursos incompletos, detetar atrasos antes de se prolongarem,&nbsp; acompanhar situações pendentes, reservar capacidade para colonoscopias de diagnóstico e&nbsp;verificar se uma alteração organizacional produziu o efeito esperado [4,7].&nbsp;</p>



<p class="has-medium-font-size wp-block-paragraph"><strong>Um método ao serviço do doente&nbsp;</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Este trabalho resultou da colaboração entre profissionais do Departamento de Estudos e&nbsp;Planeamento da então Administração Regional de Saúde do Norte, das estruturas de&nbsp;Coordenação dos Rastreios Oncológicos do Serviço Nacional de Saúde e das áreas da Saúde&nbsp;Pública, Medicina, Epidemiologia, Matemática e Engenharia de Sistemas. A componente&nbsp;académica de investigação foi desenvolvida no âmbito de um projeto de doutoramento da&nbsp;Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Esta combinação de competências foi&nbsp;essencial. Compreender um rastreio de base populacional exige conhecimento clínico,&nbsp;compreensão da organização dos serviços e capacidade para transformar grandes volumes de&nbsp;dados em informação útil. A tecnologia não substitui a decisão clínica nem a responsabilidade&nbsp;dos serviços, mas ajuda a tornar visível aquilo que, num processo distribuído por várias&nbsp; instituições, é demasiado fácil perder de vista.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portugal tem alargado os rastreios oncológicos organizados e definiu metas ambiciosas para&nbsp;2030. A monitorização regular já faz parte da gestão dos programas [8,9]. O passo seguinte é&nbsp;integrá-la num ciclo efetivo de melhoria contínua: observar o percurso, identificar o problema,&nbsp;intervir e voltar a avaliar. Aplicada à escala nacional, esta abordagem permitiria comparar&nbsp;percursos entre regiões com critérios uniformes, apoiando a coordenação dos rastreios na&nbsp;deteção precoce de oportunidades de melhoria e na definição de prioridades de intervenção. No rastreio, um atraso não é apenas uma ineficiência administrativa. Pode traduzir-se em mais&nbsp;semanas de incerteza, num diagnóstico mais tardio e numa oportunidade de prevenção&nbsp;perdida. O sucesso não deve medir-se apenas pelo número de pessoas convidadas, mas pela&nbsp;capacidade de garantir que cada pessoa completa o percurso adequado, sem demoras evitáveis. Dispomos hoje dos dados e dos métodos necessários. Falta usá-los de forma&nbsp; sistemática na gestão diária dos serviços.&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph"><strong>Referências&nbsp;</strong></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">[1] Monteiro H, Tavares F, Reis J, Ferreira G, Campos MJ, Costa S, Carvalho L, Carvalho J, Pedroto I,&nbsp; Soares J, Henrique R, Bento MJ, Hassan C, Dinis-Ribeiro M. Colorectal Screening Program in&nbsp; Northern Portugal: First Findings. Acta Med Port. 2022;35(3):164-169. doi:10.20344/amp.15904. </p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">[2] Monteiro H, Oliveira M, Reis J, Tavares F. Optimizing Colorectal Screening in Portugal with&nbsp; Process Mining. Eur J Public Health. 2024;34(Suppl 3):ckae144.2110.&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">[3] Monteiro H, Oliveira M, Martinho R, Martins C. Managing Data in Screening Programs:&nbsp; Challenges and Solutions. Acta Med Port. 2025;39(3):208-217. doi:10.20344/amp.23363. </p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">[4] Monteiro H, Gonçalves B, Martinho R, Felgueiras Ó, Martins C. Monitoring Colorectal Cancer&nbsp; Screening at Scale: Conformance Checking and Bottleneck Detection in Northern Portugal. J Prim&nbsp; Care Community Health. 2026;17:1-9. doi:10.1177/21501319261458040.&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">[5] Rinner C, Helm E, Dunkl R, Kittler H, Rinderle-Ma S. Process Mining and Conformance&nbsp; Checking of Long Running Processes in the Context of Melanoma Surveillance. Int J Environ Res&nbsp; Public Health. 2018;15(12):2809. doi:10.3390/ijerph15122809.&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">[6] Munoz-Gama J, Martin N, Fernandez-Llatas C, Johnson OA, Sepúlveda M, Helm E, et al.&nbsp; Process mining for healthcare: Characteristics and challenges. J Biomed Inform. 2022;127:103994.&nbsp; doi:10.1016/j.jbi.2022.103994.&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">[7] Monteiro H, Oliveira M, Martinho R, Reis J, Tavares F, Felgueiras Ó, Martins C. Population Based Cancer Screening Analysis in Northern Portugal Using Process Mining. J Cancer Policy.&nbsp; 2026;47:100702. doi:10.1016/j.jcpo.2026.100702.&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">[8] Estratégia Nacional de Luta Contra o Cancro, Horizonte 2030. Despacho n.º 13227/2023, de 27&nbsp;de dezembro. Diário da República, 2.ª série, n.º 248.&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">[9] Direção-Geral da Saúde. Monitorização dos Rastreios Oncológicos de Base Populacional:&nbsp;relatório relativo a 2024. Lisboa: DGS; 2026.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Consulte o artigo completo <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/41500461/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>. </p>
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			</item>
		<item>
		<title>Rastreio do cancro da próstata em Portugal: conhecimentos, práticas e atitudes dos médicos de família e dos urologistas</title>
		<link>https://myoncologia.pt/opiniao/rastreio-do-cancro-da-prostata-em-portugal-conhecimentos-praticas-e-atitudes-dos-medicos-de-familia-e-dos-urologistas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Jul 2026 10:49:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num artigo de opinião, a médica de Medicina Geral e Familiar (MGF) Raquel Braga, da Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos, analisa a complexidade do rastreio do cancro da próstata em Portugal, tendo como ponto de partida os resultados do recente estudo Prostate Cancer Screening: Knowledge, Attitudes, and Practices by Medical Doctors in Portugal, [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://myoncologia.pt/opiniao/rastreio-do-cancro-da-prostata-em-portugal-conhecimentos-praticas-e-atitudes-dos-medicos-de-familia-e-dos-urologistas/">Rastreio do cancro da próstata em Portugal: conhecimentos, práticas e atitudes dos médicos de família e dos urologistas</a> aparece primeiro em <a href="https://myoncologia.pt">My Oncologia</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Num artigo de opinião, a médica de Medicina Geral e Familiar (MGF) <strong>Raquel Braga</strong>, da Unidade Local de Saúde (ULS) de Matosinhos, analisa a complexidade do rastreio do cancro da próstata em Portugal, tendo como ponto de partida os resultados do recente estudo <em>Prostate Cancer Screening: Knowledge, Attitudes, and Practices by Medical Doctors in Portugal</em>, do qual faz parte. A autora explica como a mudança de paradigma internacional, que se afasta do rastreio cego para privilegiar a decisão partilhada e o risco individual, tem impactado a prática clínica, revelando assimetrias de conhecimentos e atitudes entre médicos de MGF e urologistas. Colocando a comunicação clínica no centro do processo, a médica reflete sobre os desafios de alinhar as novas orientações europeias com a realidade nacional, sublinhando que a melhor decisão resultará sempre do encontro entre a evidência científica, a experiência do profissional e os valores do doente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O rastreio do cancro da próstata mantém-se um dos temas mais debatidos da medicina contemporânea, desde o início da utilização do PSA como exame de rastreio, na década de 80. Poucas áreas da prevenção oncológica suscitam tanta controvérsia quanto às recomendações internacionais, às decisões clínicas e às expectativas dos médicos e dos doentes. Em Portugal, onde o cancro da próstata constitui a neoplasia maligna mais frequentemente diagnosticada em homens e uma das principais causas de mortalidade por cancro, esta discussão assume particular relevância.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante décadas, a determinação do antigénio específico da próstata (PSA) difundiu-se rapidamente na prática clínica, apesar de não haver consenso quanto ao equilíbrio entre os seus benefícios e riscos. Se, por um lado, permitiu o diagnóstico precoce de milhares de tumores potencialmente curáveis, por outro, conduziu ao sobrediagnóstico e ao sobretratamento de lesões indolentes, expondo muitos homens a intervenções desnecessárias e às respetivas complicações. Num estudo representativo da população portuguesa,&nbsp;44,2% dos homens entre os 40 e os 79 anos referiram ter realizado rastreio do cancro da próstata pelo menos uma vez na vida, evidenciando uma elevada utilização do rastreio oportunístico.<sup>1</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Atualmente, o paradigma internacional encontra-se em transformação. As recomendações das principais sociedades científicas evoluíram de uma posição de aceitação ou rejeição generalizada para uma abordagem centrada na decisão partilhada entre médico e doente, considerando a idade, a esperança de vida, os fatores de risco individuais e as preferências de cada pessoa. Paralelamente, a União Europeia tem vindo a incentivar os Estados-Membros a desenvolver programas organizados e baseados no risco, recorrendo às novas evidências científicas e aos avanços tecnológicos, como a ressonância magnética multiparamétrica antes da realização de biópsia, o que pode ajudar a mitigar os efeitos do sobrediagnóstico e do sobretratamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, permanecem questões essenciais: os médicos portugueses estarão preparados para esta mudança de paradigma? Como se caracterizam os conhecimentos práticos e atitudes dos médicos de família e urologistas (especialidades que mais frequentemente lidam com esta situação) em relação a este rastreio?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi precisamente desta inquietação que surgiu o estudo <em>&#8220;Prostate Cancer Screening: Knowledge, Attitudes, and Practices by Medical Doctors in Portugal&#8221;,</em> recentemente publicado no <em>Journal of Cancer Education</em>. O objetivo foi conhecer, pela primeira vez em Portugal, como os médicos compreendem, interpretam e aplicam as recomendações relativas ao rastreio do cancro da próstata.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O estudo envolveu investigadores de várias instituições nacionais, incluindo especialistas em Medicina Geral e Familiar, Saúde Pública, Epidemiologia e Urologia, o que reflete a natureza multidisciplinar desta problemática. A investigação assentou num estudo observacional transversal, realizado por meio de um questionário <em>online</em> dirigido a médicos portugueses das especialidades de Medicina Geral e Familiar (n=596) e Urologia (n=63), enviado por email, através das respetivas Sociedades Científicas (Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar e Associação Portuguesa de Urologia), o que permitiu caracterizar simultaneamente os conhecimentos, as atitudes e a prática clínica relativamente ao rastreio. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais do que medir conhecimentos e opiniões, procurou compreender de que forma as recomendações internacionais e nacionais chegam à prática clínica quotidiana.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados revelam um cenário simultaneamente positivo e profundamente desafiante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por um lado, verifica-se um elevado reconhecimento da importância do diagnóstico precoce do cancro da próstata e da necessidade de envolver os doentes na decisão clínica. A maioria dos médicos demonstra preocupação em fornecer informação aos homens antes da realização do PSA e reconhece que esta decisão deve resultar de um processo de decisão informada e partilhada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Determinou-se que, em Portugal, os médicos de família preferem adotar as normas de orientação clínica da Direção-Geral de Saúde, ao passo que os urologistas preferem seguir as normas da <em>European Association of Urology</em>. &nbsp;Observam-se variações entre estas duas especialidades quanto aos critérios relativos à idade ideal para iniciar ou terminar o rastreio, bem como alguma heterogeneidade no reconhecimento dos fatores de risco familiares, étnicos e de idade. Além disso, o estudo revela que os urologistas são mais interventivos e acreditam mais nos benefícios do rastreio do cancro da próstata do que os médicos de família.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estes resultados refletem um fenómeno conhecido internacionalmente: mesmo quando existem recomendações clínicas bem estabelecidas, a sua implementação clínica nem sempre é uniforme e depende do contexto de prática. A evidência científica é dinâmica; as orientações nem sempre coincidem entre sociedades científicas e, perante a incerteza, muitos médicos continuam naturalmente a basear parte das suas decisões na formação inicial, na experiência clínica acumulada e nas recomendações locais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este facto não deve ser interpretado como uma fragilidade da prática médica, mas antes como um sinal da complexidade inerente ao rastreio do cancro da próstata.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao contrário do rastreio do colo do útero, da mama ou do cancro colorretal, onde existe maior consenso relativamente aos programas organizados, o rastreio do cancro da próstata continua dependente de uma avaliação individualizada, exigindo competências de comunicação clínica particularmente desenvolvidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É precisamente aqui que os cuidados de saúde primários assumem um papel determinante, uma vez que um dos principais fatores de adesão a um rastreio reside na possibilidade de abordar o assunto com o médico com quem se estabelece uma relação de confiança.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Portugal, os médicos de família constituem frequentemente o primeiro profissional de saúde a abordar este tema com os homens assintomáticos. São eles que esclarecem dúvidas, interpretam fatores de risco, discutem as vantagens e limitações do PSA e acompanham as decisões tomadas e suas consequências ao longo do tempo. A qualidade desta comunicação poderá influenciar significativamente a adequação do rastreio realizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os resultados agora publicados sugerem igualmente a necessidade de reforçar a formação médica contínua nesta área. Num contexto científico em rápida evolução, torna-se fundamental garantir que todos os profissionais tenham acesso às recomendações mais recentes, compreendam a qualidade da evidência disponível e desenvolvam competências em decisão partilhada. Não basta conhecer as normas; é necessário traduzir a evidência numa conversa clara, equilibrada e adaptada às preferências de cada doente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este desafio ganha ainda maior importância perante as recentes orientações europeias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2022, o Conselho da União Europeia recomendou aos Estados-Membros que explorassem a implementação faseada de programas organizados de deteção precoce do cancro da próstata (além do cancro do estômago e do pulmão), baseados na estratificação do risco individual e apoiados por evidência científica robusta. Trata-se de uma mudança histórica, que poderá transformar profundamente a abordagem ao rastreio nos próximos anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Portugal terá inevitavelmente de acompanhar esta evolução.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para tal, será indispensável conhecer não apenas a evidência científica internacional, mas também a realidade nacional: como pensam os médicos, quais as dificuldades encontradas na prática clínica, quais as barreiras à implementação das recomendações e quais as necessidades de formação existentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo adquire particular relevância ao fornecer uma caracterização nacional das atitudes e práticas médicas das especialidades que mais frequentemente lidam com este rastreio, disponibilizando informação essencial para orientar políticas de saúde, desenvolver estratégias de formação e preparar recomendações futuras ajustadas ao contexto português.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Num sistema de saúde que procura simultaneamente melhorar os resultados em saúde, reduzir desperdícios e reforçar a centralidade do doente, esta perspetiva torna-se indispensável.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O futuro do rastreio do cancro da próstata não dependerá apenas de novos biomarcadores, de algoritmos de inteligência artificial ou de exames de imagem mais sofisticados. Dependerá igualmente da qualidade da comunicação entre médico e doente, da confiança nas recomendações científicas e da capacidade de adaptar a evidência às características individuais de cada homem. Dependerá também da capacidade de se montar em Portugal um programa de rastreio confiável, sustentável e seguro, que, assim que levantar uma suspeita de cancro da próstata, estabeleça rapidamente um diagnóstico e assegure um tratamento rápido e eficaz.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo recorda-nos que a melhor decisão clínica raramente resulta apenas de um exame laboratorial. É aquela que nasce do encontro entre a melhor evidência científica disponível, a experiência do médico e os valores do doente, segundo o paradigma da Medicina Baseada na Evidência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A presente investigação integra uma tese de doutoramento intitulada &#8220;Prostate Cancer Screening in Portugal: Adherence, Practices, and Views from Different Stakeholders&#8221;, composta por quatro estudos. Este estudo analisou os conhecimentos, atitudes e práticas clínicas de médicos de família e urologistas portugueses relativamente ao rastreio do cancro da próstata. Os restantes estudos avaliaram: (1) a utilização do rastreio e os conhecimentos, atitudes e práticas da população masculina portuguesa;<sup>1</sup> (2) a associação entre características dos doentes com cancro da próstata e o estádio da doença ao diagnóstico;<sup>2</sup> e (3) as barreiras, facilitadores e perspetivas dos diferentes intervenientes sobre a implementação e gestão de programas de rastreio em Portugal.<sup>3</sup></p>



<p class="wp-block-paragraph">Num momento em que Portugal e a Europa repensam o futuro do rastreio do cancro da próstata, compreender como os médicos decidem e se posicionam poderá ser tão importante quanto desenvolver novas formas de diagnóstico precoce ou planear formas éticas, seguras e sustentáveis de implementar programas de rastreio. A ciência produz evidências, mas é a prática clínica que as transforma em ganhos efetivos para a saúde das populações.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Aceda ao artigo na íntegra <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40533657/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph"><strong>Referências Bibliográficas:</strong></p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">1-Braga R, Costa AR, Pina F, Moura-Ferreira P, Lunet N. Prostate cancer screening in Portugal: prevalence and perception of potential benefits and adverse effects. Eur J Cancer Prev. 2020 May;29(3):248-251. doi: 10.1097/CEJ.0000000000000539. PMID: 31651568.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">2- Braga R, Araújo N, Costa A, Lopes C, Silva I, Correia R, Carneiro F, Braga I, Pacheco-Figueiredo L, Oliveira J, Morais S, Tedim Cruz V, Pereira S, Lunet N. Association between sociodemographic and clinical features, health behaviors, and health literacy of patients with prostate cancer and prostate cancer prognostic stage. Eur J Cancer Prev. 2024 May 1;33(3):243-251. doi: 10.1097/CEJ.0000000000000854. Epub 2023 Nov 6. PMID: 37997910.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">3- Fernandes A, Braga R, Taveira-Barbosa J, Amorim M, Firmino-Machado J, Lunet N. Challenges and enablers in the implementation of screening programs for lung, prostate and gastric cancers in Portugal: A qualitative study involving stakeholders. SSM-Health Systems. <a href="https://www.sciencedirect.com/journal/ssm-health-systems/vol/7/suppl/C">Volume 7</a>,&nbsp;December 2026, 100237. <a href="https://doi.org/10.1016/j.ssmhs.2026.100237">https://doi.org/10.1016/j.ssmhs.2026.100237</a></p>
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		<item>
		<title>Cancro do cólon e reto: novidades na cirurgia robótica </title>
		<link>https://myoncologia.pt/opiniao/cancro-do-colon-e-reto-novidades-na-cirurgia-robotica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 10:58:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A cirurgia robótica está a redefinir os padrões de qualidade na abordagem às patologias do cólon e do reto, consolidando-se como uma das maiores inovações na Medicina personalizada e minimamente invasiva. Num artigo de opinião focado nos mais recentes avanços desta tecnologia, Susana Ourô analisa de que forma as novas plataformas digitais e a imagem [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A cirurgia robótica está a redefinir os padrões de qualidade na abordagem às patologias do cólon e do reto, consolidando-se como uma das maiores inovações na Medicina personalizada e minimamente invasiva. Num artigo de opinião focado nos mais recentes avanços desta tecnologia, <strong>Susana Ourô</strong> analisa de que forma as novas plataformas digitais e a imagem tridimensional permitem procedimentos mais precisos e seguros, reduzindo complicações e otimizando a recuperação dos doentes. Enquanto especialista em Cirurgia Colorretal no Hospital da Luz Lisboa e no Hospital Beatriz Ângelo, e professora auxiliar convidada na Faculdade de Medicina da Universidade Católica Portuguesa, destaca o percurso de integração consistente desta tecnologia de vanguarda na prática clínica nacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A cirurgia robótica tem vindo a afirmar-se como uma das mais relevantes inovações tecnológicas na área da Cirurgia Colorretal, contribuindo de forma significativa para a melhoria dos resultados clínicos e para a otimização da experiência do doente. Nos últimos anos, assistimos a um avanço notável quer ao nível dos sistemas robóticos disponíveis, quer na sua integração na prática cirúrgica, particularmente em procedimentos complexos do cólon e reto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre as principais novidades, destaca-se a evolução das plataformas robóticas, com sistemas mais versáteis, ergonomicamente mais eficientes e com melhor definição de imagem tridimensional. Estas melhorias permitem uma disseção mais precisa, sobretudo em espaços anatómicos confinados como a pélvis, onde a preservação nervosa é crítica. Este ganho é particularmente evidente na cirurgia do cancro do reto, onde a qualidade da excisão total do mesorreto continua a ser determinante para os resultados oncológicos e funcionais. Igualmente, a maior amplitude e estabilidade dos movimentos dos instrumentos robóticos traduzem-se também numa redução da variabilidade técnica e numa maior reprodutibilidade dos procedimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro aspeto relevante prende-se com a crescente evidência científica que sustenta os benefícios da cirurgia robótica em comparação com a laparoscopia convencional. Estudos recentes apontam para menores taxas de conversão para cirurgia aberta, melhor preservação funcional e, em alguns contextos, recuperação pós-operatória mais rápida. Adicionalmente, a integração de tecnologias como a fluorescência com verde-indocianina tem permitido uma avaliação mais precisa da perfusão tecidular, contribuindo para a redução de complicações como a deiscência anastomótica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Importa ainda salientar o papel da formação e da curva de aprendizagem. A disseminação de programas estruturados de treino em cirurgia robótica tem facilitado a adoção segura desta tecnologia, permitindo que um número crescente de cirurgiões adquira competências específicas de forma progressiva e sustentada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos avanços, subsistem desafios, nomeadamente relacionados com os custos associados e a necessidade de uma seleção criteriosa dos doentes. Contudo, é inegável que a cirurgia robótica representa um passo muito importante na evolução da Cirurgia Colorretal, alinhando-se com os princípios da cirurgia minimamente invasiva e da medicina personalizada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto especialista em Cirurgia Colorretal, reconheço o impacto positivo destas inovações na prática clínica, bem como o seu potencial para redefinir os padrões de qualidade. No Hospital da Luz Lisboa, esta evolução tem sido acompanhada de forma consistente, com integração progressiva da cirurgia robótica na prática clínica, sempre com o objetivo de oferecer aos doentes abordagens mais seguras, precisas e adaptadas às suas necessidades específicas.</p>
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		<item>
		<title>O fim do dogma profilático: radioterapia cerebral no CPPC</title>
		<link>https://myoncologia.pt/opiniao/o-fim-do-dogma-profilatico-radioterapia-cerebral-no-cppc/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 16:17:37 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Num artigo de opinião, a radio-oncologista Miriam Abdulrehman, do Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil (IPO Lisboa), analisa a profunda transformação na abordagem terapêutica do carcinoma do pulmão de pequenas células (CPPC) com envolvimento cerebral. A especialista explica como o avanço da vigilância por ressonância magnética e a introdução da radiocirurgia estereotáxica (SRS) [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Num artigo de opinião, a radio-oncologista <strong>Miriam Abdulrehman</strong>, do Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil (IPO Lisboa), analisa a profunda transformação na abordagem terapêutica do carcinoma do pulmão de pequenas células (CPPC) com envolvimento cerebral. A especialista explica como o avanço da vigilância por ressonância magnética e a introdução da radiocirurgia estereotáxica (SRS) estão a ditar o fim do dogma da irradiação holocraniana sistemática e profilática. Colocando a proteção cognitiva e a qualidade de vida do doente no centro das decisões médicas, a autora reflete sobre as novas evidências científicas que pretendem elevar a neuroproteção ao estatuto de verdadeiro <em>gold standard</em> na Radio-Oncologia moderna.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento do carcinoma do pulmão de pequenas células (CPPC) enfrenta hoje um dos momentos mais dinâmicos da sua história recente, particularmente no que diz respeito à abordagem da doença cerebral. Sendo uma neoplasia de origem neuroendócrina caracterizada por uma agressividade intrínseca e proliferação célere, o CPPC apresenta propensão para a disseminação metastática precoce. Embora apenas 10% a 15% dos doentes apresentem metástases cerebrais ao diagnóstico, estima-se que até 80% venham a desenvolvê-las durante o curso da doença. Esta realidade é agravada pela barreira hematoencefálica, que funciona como um &#8220;santuário&#8221; farmacológico, impedindo que as quimioterapias sistémicas convencionais atinjam concentrações citotóxicas eficazes no parênquima cerebral.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante décadas, o dogma terapêutico assentou na irradiação craniana profilática (PCI) e na irradiação holocraniana (WBRT). O objetivo era a erradicação de micrometástases indetetáveis, mas o custo clínico revelou-se elevado. O ensaio RTOG 0212 expôs a fragilidade desta abordagem ao demonstrar que a PCI causava declínio neurocognitivo substancial e irreversível em mais de 60% dos doentes no prazo de um ano. Esta evidência, aliada ao advento da vigilância apertada por ressonância magnética (RM), forçou uma mudança: no Estadio extenso, a observação ativa é hoje preferível à PCI sistemática. No estadio limitado, a segurança da omissão da PCI está a ser rigorosamente testada nos ensaios prospetivos MAVERICK e PRIMALung, que prometem redefinir as <em>guidelines</em> internacionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na doença metastática estabelecida, a radiocirurgia estereotáxica (SRS) quebrou a sua exclusão histórica no CPPC. O receio de falências cerebrais difusas rápidas deu lugar à evidência de estudos como o FIRE-SCLC e o ensaio de Aizer, que validaram a SRS como opção viável de primeira linha. A SRS não só oferece uma sobrevivência global comparável à WBRT, como garante uma preservação cognitiva superior, reduzindo o risco de mortalidade neurodegenerativa. Dados pragmáticos indicam que o uso de SRS poupa cerca de 80% dos doentes de virem a necessitar de irradiação holocraniana de resgate.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, nos casos em que a irradiação total do cérebro é considerada inevitável, a estratégia de poupança do hipocampo (HA-WBRT) associada à memantina tem surgido como uma opção recomendada para mitigar a toxicidade. É fundamental notar que, ao contrário do que acontece noutros tumores sólidos, esta indicação no CPPC constitui atualmente uma extrapolação clínica do ensaio NRG-CC001. Não existe ainda evidência de nível 1 exclusiva para CPPC neste cenário, e a agressividade biológica deste tumor exige cautela, dado o risco de recidiva na região peri-hipocampal. O esclarecimento definitivo chegará com o ensaio de Fase III NRG-CC009, que confronta diretamente a precisão da SRS com a técnica de HA-WBRT.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em suma, assistimos ao fim da era da irradiação holocraniana sistemática. A proteção da função cognitiva e a manutenção da qualidade de vida do doente elevaram-se a novos patamares de prioridade clínica, transformando a neuroproteção no verdadeiro <em>gold standard</em> da Radio-Oncologia moderna aplicada ao CPPC.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Este artigo foi publicado originalmente no Jornal do Congresso dedicado aos Encontros da Primavera 2026.</em></p>
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		<item>
		<title>Reduzir as barreiras ao diagnóstico dos gliomas: uma prioridade para melhorar os cuidados</title>
		<link>https://myoncologia.pt/opiniao/reduzir-as-barreiras-ao-diagnostico-dos-gliomas-uma-prioridade-para-melhorar-os-cuidados/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 12 Jun 2026 08:45:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No âmbito do Dia Mundial do Tumor Cerebral, o Assistente Graduado em Neurocirurgia no Hospital de Santa Maria (ULSSM) e consultor em Neurocirurgia no Hospital CUF Descobertas, Alexandre Rainha Campos, analisa os obstáculos à identificação precoce dos gliomas. Erros de diagnóstico, vigilância obsoleta e a falha de comunicação entre instituições atrasam o tratamento, comprometendo os [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No âmbito do Dia Mundial do Tumor Cerebral, o Assistente Graduado em Neurocirurgia no Hospital de Santa Maria (ULSSM) e consultor em Neurocirurgia no Hospital CUF Descobertas, <strong>Alexandre Rainha Campos</strong>, analisa os obstáculos à identificação precoce dos gliomas. Erros de diagnóstico, vigilância obsoleta e a falha de comunicação entre instituições atrasam o tratamento, comprometendo os resultados. É fundamental otimizar a referenciação para centros especializados. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O diagnóstico atempado dos gliomas continua a ser um desafio relevante. Quanto mais precoce for a identificação do problema, menor tende a ser o tumor, mais simples o tratamento e maior a probabilidade de eficácia terapêutica. Ainda assim, persistem várias barreiras que atrasam o diagnóstico e condicionam o percurso clínico destes doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma das primeiras dificuldades prende-se com o diagnóstico inicial. Na prática clínica, continuam a observar-se casos em que gliomas são interpretados como lesões isquémicas, displasias corticais ou outras patologias consideradas mais benignas. Este erro diagnóstico pode atrasar a referenciação e a intervenção adequadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Continuam também a existir situações em que os doentes permanecem em vigilância durante demasiado tempo, muitas vezes porque persistem práticas que não acompanharam a evolução do conhecimento científico. Hoje sabemos que a antiga perspetiva de manter doentes com gliomas de baixo grau apenas em seguimento e vigilância foi ultrapassada pela evidência científica. Estudos populacionais demonstraram de forma clara que uma intervenção precoce está associada a melhores resultados, quer em termos de sobrevida global, quer de sobrevida livre de doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outro problema resulta da evolução lenta de muitos destes tumores. Os sintomas iniciais são frequentemente discretos: crises epilépticas ligeiras, alterações transitórias da sensibilidade, dificuldades na fala ou episódios breves de desconexão. Por não serem manifestações exuberantes, os próprios doentes podem não lhes atribuir importância e, por vezes, também os profissionais de saúde podem não reconhecer de imediato a sua relevância.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, uma das barreiras mais evidentes é a falta de comunicação entre instituições. Mesmo entre hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o acesso às imagens e aos exames realizados noutros centros nem sempre é possível. Apesar da existência de plataformas e processos clínicos eletrónicos, a realidade é que muitos exames continuam inacessíveis entre hospitais que pertencem à mesma rede e ainda pior entre redes diferentes. Esta fragmentação obriga à repetição de ressonâncias magnéticas e de outros exames, aumentando custos, atrasando decisões clínicas e prolongando a incerteza para o doente. Dificulta também a comparação de exames tornando mais difícil a demonstração do habitual aumento do tumor em exames seriados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A heterogeneidade na interpretação dos exames constitui outro desafio. Existem profissionais com grande experiência em distinguir um glioma de outras patologias cerebrais, mas essa capacidade não é uniforme. Quando um glioma é descrito como uma entidade menos preocupante, o impacto no tempo até ao diagnóstico pode ser significativo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As consequências destes atrasos são reais. Um diagnóstico tardio pode permitir a progressão do tumor, dificultar a cirurgia, aumentar a carga tumoral e reduzir a eficácia dos tratamentos subsequentes. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Perante este cenário, a solução não passa apenas por acelerar exames. Torna-se necessário criar redes de referenciação eficazes, garantir que os doentes são encaminhados rapidamente para centros especializados e assegurar que esses centros dispõem de acesso à melhor tecnologia, profissionais dedicados e reuniões multidisciplinares regulares. Concentrar experiência e recursos em unidades de referência permite melhorar o diagnóstico, otimizar tratamentos e reduzir a variabilidade de cuidados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O objetivo final deve ser simples: sempre que exista suspeita de glioma, o doente deve ser orientado precocemente para um centro com capacidade para estabelecer um diagnóstico correto e oferecer o melhor tratamento disponível.<br></p>
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		<title>Para que doentes? Inibidores da PARP em associação no cancro da próstata metastático</title>
		<link>https://myoncologia.pt/opiniao/para-que-doentes-inibidores-da-parp-em-associacao-no-cancro-da-prostata-metastatico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 12:01:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Medicina de Precisão continua a redefinir o tratamento do cancro da próstata metastático, impulsionada pelos inibidores da PARP (PARPi). Num artigo de opinião detalhado, Inês Costa, do Serviço de Oncologia Médica da ULS São João, analisa as evidências de eficácia e sinergia biológica destes fármacos em associação com os inibidores do recetor de androgénios. [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">A Medicina de Precisão continua a redefinir o tratamento do cancro da próstata metastático, impulsionada pelos inibidores da PARP (PARPi). Num artigo de opinião detalhado, <strong>Inês Costa</strong>, do Serviço de Oncologia Médica da ULS São João, analisa as evidências de eficácia e sinergia biológica destes fármacos em associação com os inibidores do recetor de androgénios. Neste artigo destaca o impacto clínico demonstrado nos grandes ensaios de fase III e reflete sobre os desafios regulatórios e de acesso que a transição para a prática clínica enfrenta em Portugal.</p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">O cancro da próstata é a segunda neoplasia mais frequente e a quinta principal causa de morte por cancro em homens a nível mundial. A sua heterogeneidade biológica, resultante da interação entre fatores ambientais e hereditários, tem impulsionado estratégias terapêuticas cada vez mais personalizadas. Neste contexto, os inibidores da PARP (PARPi) emergiram como uma das inovações mais relevantes da última década, particularmente em doentes com alterações nos genes da via de reparação de danos do DNA (DDR).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cerca de 19% dos casos de cancro da próstata metastático resistente à castração (CPmRC) apresenta mutações DDR, sendo o BRCA2 o mais frequentemente alterado. O mecanismo de ação dos PARPi assenta no conceito de letalidade sintética: ao inibir e aprisionar a PARP1 na cadeia de DNA, induzem danos irreparáveis em células tumorais com deficiências na recombinação homóloga (HRR). A associação com inibidores do recetor de androgénios (ARPI) potencia esta ação através de uma sinergia biológica com fundamento racional.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os três grandes ensaios de fase III em CPmRC de primeira linha — PROpel (olaparib + abiraterona), MAGNITUDE (niraparib + abiraterona) e TALAPRO-2 (talazoparib + enzalutamida) — demonstraram benefício consistente em sobrevivência livre de progressão radiográfica (rPFS). O benefício foi mais expressivo nas populações BRCAm, embora TALAPRO-2 e PROpel mostrassem resultados favoráveis também na população não selecionada. Uma meta-análise recente confirmou melhoria da rPFS e da sobrevivência global nas subpopulações HRRm e BRCAm, sem benefício demonstrável nos doentes HRR-negativos. O perfil de segurança é sobreponível entre as três combinações, sendo a anemia de grau 3/4 o efeito adverso mais relevante.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No cancro da próstata metastático sensível à castração, o ensaio AMPLITUDE confirmou benefício significativo da combinação niraparib + abiraterona em doentes BRCAm.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A questão combinação versus sequenciação permanece em aberto. O ensaio BRCAAway, apresentado no ASCO GU 2026, sugere superioridade da combinação face à abordagem sequencial, mas a dimensão reduzida da amostra limita conclusões definitivas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Regulatoriamente, a FDA restringe a utilização à população HRRm ou BRCAm, enquanto a EMA aprovou as combinações olaparib + abiraterona e talazoparib + enzalutanida para todos os doentes com CPmRC nos quais a quimioterapia não está indicada. Em Portugal, apenas o talazoparib dispõe de programa de acesso precoce (PAP).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">As perspetivas futuras apontam para a expansão dos PARPi a fases mais precoces da doença e para novas combinações, tais como imunoterapia, radiofármacos e terapêuticas-alvo. A análise genómica para deteção de alterações HRR é fundamental para orientar estas decisões. As mutações BRCA identificam a população com maior benefício, mas dúvidas persistem quanto ao papel dos PARPi nas restantes mutações HRR e na população não selecionada. O futuro passa, indubitavelmente, pela melhor definição da população-alvo e pela integração progressiva dos PARPi em fases mais precoces da história natural do cancro da próstata.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph"><em>Este conteúdo foi publicado originalmente no Jornal do Congresso dedicado aos Encontros da Primavera 2026.</em></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Desafios do tratamento local na doença oligometastática </title>
		<link>https://myoncologia.pt/opiniao/desafios-do-tratamento-local-na-doenca-oligometastatica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Jun 2026 13:48:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O conceito de doença oligometastática no cancro do pulmão de não pequenas células veio redefinir as fronteiras entre a doença localizada e a disseminada, abrindo portas a abordagens com intenção ablativa. Num artigo de opinião focado nos desafios do tratamento local, Catarina Travancinha, especialista em Radioncologia da CUF Tejo e da CUF Descobertas, analisa o [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">O conceito de doença oligometastática no cancro do pulmão de não pequenas células veio redefinir as fronteiras entre a doença localizada e a disseminada, abrindo portas a abordagens com intenção ablativa. Num artigo de opinião focado nos desafios do tratamento local, <strong>Catarina Travancinha</strong>, especialista em Radioncologia da CUF Tejo e da CUF Descobertas, analisa o papel crucial da radioterapia estereotáxica (SBRT) no atual ecossistema da imunoterapia e das terapias-alvo. A médica sublinha que, perante a heterogeneidade de resultados dos ensaios clínicos mais recentes, a seleção rigorosa de doentes e a decisão multidisciplinar são os fatores críticos para maximizar o controlo da doença e minimizar a toxicidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A doença oligometastática no cancro do pulmão de não pequenas células (CPNPC) representa um estadio intermédio entre doença localizada e disseminada, caracterizado por uma carga tumoral limitada e potencialmente tratável com intenção ablativa. A melhoria da sobrevivência associada às terapêuticas sistémicas modernas, incluindo imunoterapia e terapias alvo, aumentou a relevância clínica deste estado biológico, criando uma oportunidade para integração de abordagens locais. A radioterapia estereotáxica (SBRT) emergiu como uma técnica eficaz e segura, permitindo tratar múltiplos focos metastáticos com elevada precisão e baixa toxicidade, reforçando o seu papel no tratamento multidisciplinar destes doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A evidência disponível, maioritariamente de ensaios fase II, como os estudos de Gómez e Iyengar, demonstra que o tratamento local consolidativo pode melhorar a sobrevivência livre de progressão e, em alguns casos, a sobrevivência global em doentes selecionados com doença oligometastática ou oligopersistente após resposta à terapêutica sistémica. Na oligoprogressão, ensaios mais recentes como o CURB e o STOP suportam o papel da SBRT na erradicação de clones resistentes, permitindo manter terapêuticas sistémicas eficazes e atrasar a necessidade de mudança de linha terapêutica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na era da imunoterapia, os resultados são mais heterogéneos, com estudos como o NRG-LU002 a não demonstrarem benefício estatisticamente significativo da consolidação local, maioritariamente pelo aumento da toxicidade, mas mostrando, no entanto, uma tendência para melhoria do controlo local e no aumento do tempo até à recidiva. Neste <em>setting</em> fica demonstrado que a seleção de doentes e o <em>timing</em> da intervenção são determinantes críticos. Nos doentes com mutações <em>driver</em>, particularmente EGFR, a integração de SBRT com terapêutica alvo demonstra resultados promissores, com estudos fase II e III a sugerirem prolongamento do controlo da doença com tratamento local das lesões residuais ou progressivas. Para outras alterações moleculares, como ALK, ROS1 e KRAS, a evidência permanece limitada, baseando-se sobretudo em dados retrospetivos. Assim, o principal desafio atual reside na identificação dos doentes que mais beneficiam desta abordagem, considerando carga tumoral, biologia da doença, resposta sistémica e viabilidade técnica. A decisão deve ser sempre multidisciplinar, com o objetivo de maximizar o benefício clínico, preservar opções terapêuticas futuras e minimizar toxicidade.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph"><em>Artigo publicado originalmente no Jornal do Congresso dedicado aos Encontros da Primavera 2026.</em></p>
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		<item>
		<title>Biópsias líquidas: desafios e oportunidades na estratégia terapêutica</title>
		<link>https://myoncologia.pt/opiniao/biopsias-liquidas-desafios-e-oportunidades-na-estrategia-terapeutica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 16:53:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A biópsia líquida, através da análise de componentes como o ctDNA e as células tumorais circulantes (CTCs), consolidou-se como uma mudança paradigmática na Oncologia de precisão. Num artigo de opinião assinado por José Carlos Machado, da Faculdade de Medicina do Porto, aborda-se o papel central desta ferramenta que vai muito além do diagnóstico inicial. O [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">A biópsia líquida, através da análise de componentes como o ctDNA e as células tumorais circulantes (CTCs), consolidou-se como uma mudança paradigmática na Oncologia de precisão. Num artigo de opinião assinado por <strong>José Carlos Machado</strong>, da Faculdade de Medicina do Porto, aborda-se o papel central desta ferramenta que vai muito além do diagnóstico inicial. O especialista explica como a sequenciação de nova geração (NGS) permite agora acompanhar a evolução clonal do tumor, antecipar mecanismos de resistência e rastrear a doença residual mínima (DRM), abrindo uma janela de oportunidade crucial para personalizar tratamentos e prever recidivas meses antes da imagem convencional. Leia o conteúdo completo. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A biópsia líquida, baseada na análise de componentes tumorais circulantes no sangue, como o DNA tumoral circulante (ctDNA) e as células tumorais circulantes (CTCs), representa uma mudança paradigmática na Oncologia de precisão. Para além da sua utilidade no diagnóstico molecular e na seleção terapêutica, a biópsia líquida afirma-se hoje como uma ferramenta central para avaliação prognóstica, monitorização da doença e deteção de doença residual mínima (DRM) em tumores sólidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No cancro do pulmão, cólon, mama e outros, o ctDNA é já parte integrante da prática clínica na identificação de alterações genómicas acionáveis em genes como EGFR, ALK, ROS1, BRAF, RET, MET, PIK3CA ou KRAS, particularmente quando o tecido tumoral é limitado ou a rebiópsia não é exequível. As tecnologias de sequenciação de nova geração (NGS), cada vez mais sensíveis e escaláveis, permitem não só orientar a terapêutica inicial, mas também acompanhar a evolução clonal e identificar precocemente mecanismos de resistência adquirida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De forma crescente, o ctDNA demonstrou um forte valor prognóstico em tumores sólidos tratados com intenção curativa. A persistência ou reaparecimento de ctDNA após cirurgia, radioterapia ou terapêutica sistémica está consistentemente associada a um risco elevado de recorrência e a menor sobrevivência, frequentemente precedendo a deteção clínica ou imagiológica em vários meses. Inversamente, a ausência sustentada de ctDNA identifica doentes com prognóstico favorável, permitindo uma estratificação de risco mais precisa do que o estadiamento anatómico isolado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, o conceito de DRM emergiu como uma das aplicações mais promissoras da biópsia líquida em Oncologia sólida. A deteção de ctDNA reflete a presença de micrometástases ou células tumorais residuais abaixo do limiar de deteção convencional, oferecendo uma janela de oportunidade para personalizar a terapêutica adjuvante. Este modelo, há muito consolidado na Hemato-Oncologia, começa agora a ser testado em ensaios clínicos prospetivos que avaliam estratégias de intensificação ou redução terapêutica guiadas pelo ctDNA, com o objetivo de maximizar o benefício clínico e reduzir a toxicidade desnecessária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As CTCs complementam esta abordagem, fornecendo informação biológica adicional sobre viabilidade celular, plasticidade fenotípica, heterogeneidade tumoral e potenciais mecanismos de disseminação e resistência, reforçando o conceito de monitorização integrada da DRM.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos avanços, persistem desafios relevantes, incluindo a necessidade de padronização pré-analítica e analítica, definição de limiares clinicamente acionáveis, mitigação de falsos positivos relacionados com hematopoiese clonal e demonstração inequívoca de benefício clínico em ensaios de intervenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As biópsias líquidas não substituem a avaliação baseada em tecido, mas representam um complemento essencial, permitindo uma estratégia terapêutica mais dinâmica, personalizada e orientada pela biologia real da doença, com impacto potencial na prevenção da recorrência e na aproximação ao conceito de cura em tumores sólidos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Conteúdo publicado originalmente no Jornal do Congresso dedicado aos Encontros da Primavera 2026. </em></p>
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		<title>Um roteiro para acelerar a investigação clínica académica em Oncologia em Portugal: uma perspetiva multistakeholder</title>
		<link>https://myoncologia.pt/opiniao/um-roteiro-para-acelerar-a-investigacao-clinica-academica-em-oncologia-em-portugal-uma-perspetiva-multistakeholder/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rita Gomes]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 15:03:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na última década, os ensaios clínicos académicos representaram menos de 10% do total de estudos aprovados em Portugal, um valor muito abaixo da média europeia (20–45%). Para inverter este cenário,&#160;Ana Joaquim, juntamente com&#160;Fábio Borges&#160;e&#160;José Pais Silva&#160;(todos afiliados à&#160;European Organisation for Research and Treatment of Cancer&#160;– EORTC), em colaboração com&#160;Ana Sofia Carvalho&#160;(Public and Occupational Health, Amsterdam [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Na última década, os ensaios clínicos académicos representaram menos de 10% do total de estudos aprovados em Portugal, um valor muito abaixo da média europeia (20–45%). Para inverter este cenário,&nbsp;<strong>Ana Joaquim</strong>, juntamente com&nbsp;<strong>Fábio Borges</strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>José Pais Silva</strong>&nbsp;(todos afiliados à&nbsp;<em>European Organisation for Research and Treatment of Cancer</em>&nbsp;– EORTC), em colaboração com&nbsp;<strong>Ana Sofia Carvalho</strong>&nbsp;(<em>Public and Occupational Health</em>, Amsterdam UMC), assinam um artigo de opinião baseado num estudo pioneiro publicado na Acta Médica Portuguesa. Através de uma abordagem colaborativa e multissetorial (<em>multistakeholder</em>), os autores mapeiam pela primeira vez as barreiras político-regulatórias e organizacionais no país, propondo um roteiro de implementação com estratégias concretas — como o financiamento dedicado e a criação de carreiras híbridas — para integrar a investigação na rotina assistencial e melhorar os cuidados prestados aos doentes com cancro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este artigo surgiu de um esforço conjunto da Sociedade Portuguesa de Oncologia, da Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica (AICIB) e da&nbsp;<em>European Organisation for Research and Treatment of Cancer</em>&nbsp;(EORTC). Esta iniciativa surge do facto de, em Portugal, os ensaios clínicos académicos representarem consistentemente menos de 10% do total de ensaios aprovados na última década, valor substancialmente inferior ao observado noutros países da União Europeia (20–45%). No entanto, a investigação clínica académica em Oncologia constitui um pilar essencial para a tradução do conhecimento científico em prática clínica. Considerando ainda que a Oncologia corresponde a cerca de um terço de todos os ensaios clínicos realizados no País, este défice traduz-se numa oportunidade estratégica perdida para ganhos clínicos, científicos e socioeconómicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O artigo teve dois objetivos principais: identificar de forma sistemática as barreiras e facilitadores ao desenvolvimento da investigação clínica académica em Oncologia em Portugal, a partir de uma perspetiva englobando os vários níveis do sistema de saúde e multissetorial; desenvolver um roteiro de implementação com estratégias concretas, promovendo a colaboração nacional entre os diferentes atores do ecossistema oncológico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para tal, foi adotada uma abordagem iterativa, ancorada na ciência da implementação, utilizando o referencial conceptual descrito na&nbsp;<em>Tailored Implementation for Chronic Diseases</em>&nbsp;(TICD). O processo decorreu entre 2024 e 2025 e incluiu: revisão da literatura; questionário a&nbsp;<em>stakeholders</em>&nbsp;das várias áreas envolvidas na investigação académica em Oncologia em Portugal, com vista a definer barreiras e facilitadores; “focus group” envolvendo os mesmos stakeholders com vista a discutir e complementar os achados provenientes do questionário; painel público de discussão no Congresso Nacional de Oncologia, da Sociedade Portuguesa de Oncologia; consulta adicional dirigida a decisores e representantes institucionais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os&nbsp;<strong>stakeholders</strong>&nbsp;envolveram investigadores, oncologistas médicos e cirúrgicos, gestores hospitalares, promotores de ensaios, sociedades científicas, agências de saúde pública e associações de doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>As principais barreiras à investigação clínica académica em oncologia em Portugal foram identificadas em vários níveis:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Político-regulatório: escassez de financiamento dedicado; processos regulatórios longos e complexos; e ausência de uma estratégia nacional integrada para investigação clínica académica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Organizacional: insuficiente capacidade institucional para apoiar investigação (infraestruturas, recursos humanos especializados); fraca integração da investigação na prática clínica; e ausência de tempo protegido para os profissionais de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Profissionais de saúde: reconhecimento limitado do valor da investigação académica; fraca valorização institucional da produção científica; e falta de formação estruturada, mentoria e experiência em desenho e condução de ensaios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ensaios clínicos: critérios de elegibilidade restritivos e necessidade de grandes amostras, dificultando a exequibilidade de estudos académicos multicêntricos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre os principais facilitadores identificados destacam-se: a existência de um Serviço Nacional de Saúde universal, com ampla cobertura populacional; centros oncológicos com massa crítica clínica; interesse crescente de jovens profissionais na investigação; disponibilidade de redes académicas e sociedades científicas com potencial agregador; reconhecimento progressivo da importância da investigação académica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com base nas barreiras e facilitadores identificados, foi desenvolvido um roteiro colaborativo, estruturado por níveis do sistema de saúde (político, organizacional e clínico).</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Exemplos de estratégias propostas incluem:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nível político:</strong>&nbsp;integrar a investigação clínica académica como componente central da prática oncológica, com financiamento nacional dedicado; criar incentivos fiscais para doações privadas à investigação; alinhar políticas de saúde, ciência e inovação.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nível organizacional:</strong>&nbsp;reforçar gabinetes de apoio à investigação, criar carreiras híbridas clínico-investigador, garantir tempo protegido e integrar ensaios clínicos na atividade assistencial de rotina.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Nível clínico/profissional:</strong>&nbsp;investir em formação estruturada, programas de mentoria, reconhecimento formal da atividade científica e promoção de redes colaborativas multicêntricas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tanto quanto é do nosso conhecimento, este trabalho constitui o primeiro esforço sistemático e colaborativo para mapear os constrangimentos e propor soluções concretas para acelerar a investigação clínica académica em Oncologia em Portugal. Para os profissionais de saúde, o artigo sublinha a importância da integração da investigação na prática clínica como instrumento de qualidade, inovação e sustentabilidade do sistema de saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A implementação do roteiro proposto poderá reforçar a capacidade nacional de gerar evidência clínica relevante, aumentar a atratividade do país para investigação independente e, em última instância, melhorar os cuidados prestados às pessoas com cancro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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